segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Do Sucesso do Fracassado

A busca de uma relação entre consumismo e fracasso é de extrema importância para tentar compreender as dinâmicas sociais que movem as estruturas capitalistas da contemporaneidade. É através desse resultado que se pode determinar o caminhar de um nível de adequação de um grupo em uma comunidade estruturada como sociedade de consumo, que se entrelaça através de recursos de mais valia e permeiam inegavelmente todos os tipos de relação mensuráveis, isso não nos permite então, deixar de lado o poder da influência do consumo, não somente no desempenho escolar, mas também em toda a dimensão de uma cultura estruturada a partir do descarte.

Poder-se-ia então imaginar uma definição para uma cultura “Sociapitalista”, ou seja uma sociedade capitalista que manifesta uma condição patológica sociopata justificável no desejo do consumo, de um mal que a prióri poderia ser definido como o sucesso do fracassado. Importante, neste caso, não é, de fato, quem detêm o saber, pois nem sempre as pessoas que transmitem esse conhecimento são as reais produtoras do mesmo. Bauman também afirma que, os professores dotados das qualificações necessárias para ministrar esse conhecimento são mais notáveis pela sua ausência, mas ainda sim o vendem e naturalmente os consumidores adotam como prática, a aquisição desses bens variados, que englobam inúmeras vertentes e tendências, sejam elas pautadas em identidade moral ou intelectual assim como as outras, já bem delimitadas pela sociedade de consumo. Aquele que sabe ensinar, não o faz pelo fato de não possuir tempo para isso, pois geralmente está ocupado demais tentando transformar esse conhecimento em algo que literalmente possa gerar lucro, e consequentemente. que possa ser passível de consumo.

É benéfico para a sociedade e para o sistema econômico que os indivíduos de sucesso sejam consumistas, os estudantes de sucesso apenas serão profissionais de sucesso se e somente se os mesmos forem consumistas, o que remete a um questionamento epistemológico, o que são os estudantes de sucesso? São aqueles que aprendem ou aqueles que são eficientes na manufatura do aprendizado?

A partir do momento em que se é aprovado, naturalmente se pode pensar em algum tipo de teste, e que por mérito, foi decidido que o indivíduo tem capacidades e competências para realizar tal tarefa, isso é, sem exageros, uma troca em relação trabalhista, ou seja é consumo. Os futuros profissionais de sucesso são aqueles que conseguem consumir o aprendizado, são os fracassados, entretanto entranhados nessa lógica, só poderão obter algum sucesso se a eles for permitido um espaço para que se possa consumir aquilo que lhes foi ensinado, aquilo que possam fazer, e a partir daí se tornam reféns de sua própria sombra, pois são rodeados por uma ameaça constante de mudança, o que induz a uma preocupação exacerbada com o efémero, evidenciando a transitoriedade das relações apropriadamente denominada por Zygmunt Bauman, como a modernidade líquida.

Segundo Bauman “a educação continuada administrada pelo mercado não fornecerá aquilo de que a “economia” realmente precisa” o que remete a uma reflexão sobre o que pode ser considerado a falência (diga-se fracasso) da escola, é a partir desta evidência que se pode buscar uma “solução” para o problema, ou não, pois essa estrutura aparentemente se auto-sustenta pela regra e não pela exceção, e a partir do entendimento do dito sucesso do fracassado é que se poderia repensar de que forma o sistema educacional contemporâneo tem a contribuir, não mais adotando uma postura “pseudo-sólida” mas se adequando à tendência natural da constante evolução da cultura.

Agradecimentos ao responsavel pelo blog Pedra de Mármore (Renato de Morais) ,por ter me ajudado a construir essa ideia.

domingo, 24 de agosto de 2008

Do amigo ao mante.

A vida trás as coisas de maneira sutil, e ninguém nunca vê antes do tempo os cominhos a serem percorridos, é difícil não saber onde se encontra a próxima curva e literalmente, porém bem mais fácil, tentar encontrar o fim da estrada, são essas minhas controvérsias que me permitem refletir sobre “o quê” sou seu.
São palavras confusas, de pouca lógica e muita violência, pois cada tecla sofre o peso da contradição assim como eu, não, isso, prende a respiração buscando o ar que lhe falta. Lhe falta ar, lhe falta ar... E eu clamo a Deus que lhe falte a dor, que lhe falte o pranto, que lhe falte o ar e então que na agonia dos sem vida não lhe falte o amor.
Lembre que cada passo é dado em cada passo, e que é você, não, eu, não, nós é que decide o que lhe falta e mesmo que lhe falte o ar e mesmo que lhe falte a dor, e mesmo que lhe falte o pranto você terá sempre o amor, quando ou até quando a agonia dos sem vida lhe trouxer a paz.

Em holocusto ao bem viver!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Do lado de lá.

É verdade que algumas de nossas palavras são hipocrisia, algumas das minhas de fato o são, para falar a verdade grande parte delas. Não tão diferentes de mim são os humanos e suas palavras doces são tão hipócritas quanto eles próprios, não me incluo neste grupo pois sou pior que eles, finjo ser minha a hipocrisia do mundo que nego ser minha afirmando ser de mundos distintos do meu.

Sabias palavras de um nobre colega que me fizeram pensar um pouco sobre ser alguém de fato. Um belo dia um amigo me criticou dizendo ter notado um discurso hipócrita na minha fala e de fato era, como ele mesmo colocou, perdi-me na crítica e adotei o lugar do hipócrita.

Estava tão certo, meu caro colega, que nem pude defender-me de minhas próprias acusações e elas, que eram minha arma contra a hipocrisia se tornaram em minhas próprias mãos meu sangue vermelho vivo mas nem tanto pulsante. Dúvidas cuspidas ao vento vagam em vão, mas não eram todas em vão, meu lugar de algoz é um lugar confortável para quem senta e tremendamente atraente para quem necessita, mas não tão dolorido para quem observa.

É perdendo as palavras que normalmente encontro sentidos, mas ultimamente eu tenho encontrado palavras demais para nenhum sentido, aqueles vários “eu” estão carentes de sentido e não de palavras. Discursos hipócritas penetram esse meu lugar de algoz, mas eles não são hipócritas são apenas apaixonados, temerosos de uma desilusão ou mesmo incinerados por alguma coisa que não se pode explicar, por que afinal de contas é um lugar não tão doloroso para quem observa.

Um colega me mostrou minhas palavras tortas, um amor me mostrou minhas palavras tortas, uma vida me mostrou minhas palavras tortas e eu espero que eu possa um dia mostrar a eles o sentido pelo qual continuo profanando minhas virtudes com palavras tortas

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Do meu Deserto

Nem sei por que escrevo, na verdade só escrevo pra me desfazer das dúvidas, e eventualmente colocar algumas dúvidas em alguém
parando para pensar é isso que me motiva a escrever mesmo entendendo mal a minha língua e sendo mal entendido como sempre. Então escrevo por algo, ou para algo, ou mesmo para alguém, um amigo imaginário talvez , ou vários, talvez um que escute as palavras escritas, talvez para que apenas critique, mas no fritar dos ovos eu escrevo. Nada de ideal ou senso de justiça ou coisa parecida minha ordem é caótica e carente de sentido, mas sou eu uma pessoa moralista, que não preza pelo principio da moral e ao mesmo tempo defende com pouca atitude a moral do saber. Construir em palavras as minhocas que habitam o meu pensamento é tarefa difícil para mim e para todos aqueles que habitam a mim mesmo, sejam eles o que quiserem quando quiserem ou em síntese como acharem melhor. Problema é que são muitos e todos eles pensam ao mesmo tempo, uns são racionais, outros abstraem o real, outros constroem outros, que constroem outros mundos, outros “eu”, a maior parte deles é ninguém, mas todos eles pensam, pensam como eu e na maioria dos casos discordam de minha opinião, pensam como Freud e na maioria dos casos discordam de minha opinião, pensam como Sócrates e na maioria dos casos eu chego a conclusão que não se posso concordar comigo mesmo, mas todos eles pensam, e como pensam. Todos esse “eu” brigam por um espaço pra expor sua arte, sua guerra, sua crítica, sua fúria e todos eles lutam para aplacar sua solidão, eu os criei a minha imagem e semelhança e eles cresceram, evoluíram e agora vivem seus desertos da prova, sedentos por saber o que espera-os a seguir. Eu espero que eles possam me ensinar alguma coisa!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Do faz de conta!

Era uma vez... Bem, na verdade não era vez nenhuma por que se realmente fosse a vez de alguém essa seria a minha vez, pois eu iria contar a estória não querendo ser chato mas já sendo crítico para quê diabos as pessoas contam estórias?

Estava lendo uns blogs pela rede, coisa que eu nunca me imaginei fazendo, até por que é pura falta do que fazer, algumas narrativas muitas delas boas outras, nem tanto mas o interessante é que são narrativas, ou seja, contadas estórias de ninguém. Não existe fim nem começo nesses contos apenas aquilo que o autor imaginou, bela tarde de verão sentia o vento em seu cabelo e coisas do gênero.

Bem talvez eu esteja comentando pura e simplesmente pelo fato de que eu não possuo tal habilidade, para falar a verdade sou um péssimo contador de estórias e na verdade invejo aqueles que o fazem, mas ainda sim me atendo ao tema. Por favor completem suas estórias, e o leitor me pergunta mas o que tem demais em escrever um fragmento de uma narrativa apenas para exercitar a mente e eu respondo, leia o post anterior, “Do real” para ser mais específico. “O quê??”

Pois é, então conte uma estória e corra o risco de se deixar envolver por algo pelo qual você tanto se defende, a grande graça da coisa é que hoje em dia poucos terminam suas estórias tudo passa muito rápido, talvez seja apenas um piscar de olhos o lapso que separa o indivíduo da defasagem e na ânsia de viver acabamos nos permitindo negar o tempo, por quê ele passa muito mais rápido do que se pode acompanhar então somos obrigados a trocar, não importa o que mas troque, troque tudo, sua roupa, seu celular, seu/sua namorado(a), sua vida seu trabalho, seus ideais, e também... suas estórias!

Curioso, antigamente as pessoas viviam em busca da vida após a morte e regidas pela ética do dever cumpriam suas tarefas, demandas sagradas a elas incumbidas pelo próprio divino. Nesse tempo, as pessoas viviam em função da boa morte e acreditavam poder viver eternamente após a sua contribuição no mundo dos “polegares opositores”*, mas hoje, bem hoje as pessoas são eternas, ou não, mas se não forem pelo menos tentam ser, então o que será que tem haver isso tudo com estórias em blogs?

As pessoas não são eternas, na verdade elas deixam esse mundo até bem rápido então o que fazer? Tentam viver eternamente e intensamente, condensam todas as vivencias em uma vida só, traduzindo para português. Por quê não fazer tantas coisas eu puder em vez de uma coisa só até onde puder? Ai a coisa fica interessante, pois os contadores de estórias de blogs caem como uma luva, nuca se prendem a um tema assim como as pessoas nunca se prendem a nada e o sabor do recomeçar não existe nesses casos acho eu, partindo do pré-suporto de que precisamos acabar algo para recomeçar, então cada estória do contador de estórias é apenas um começo, começo esse que não chega a ter um fim frustrante, pois em nossos tempos alucinados é perda de tempo ficar frustrado, alguém vai pensar antes de você na próxima estória, então deixa essa ai e parte para uma próxima, o personagem do conto anterior, bem, ele é passado.

Concluindo, são estórias sem fim, assim como somos pessoas sem fim, originadas de começos e apenas começos incompletos. A nós não nos cabe o direito da falta pois a falta é a fraqueza e fraqueza é passado, passado é tempo e o tempo anda, não ele voa e ultimamente não estamos tendo tempo de curtir nem nossas próprias histórias então escrevem-se estórias de cada um, de cada um de nós, de cada ninguém como alguém que não é e que precisa parecer que é!

*Falarei dos polegares posteriormente!

domingo, 1 de junho de 2008

Do meu dia de Ninguem

Então, cá estou eu decidido a originar algo, um algo um tanto vago eu presumo.

Estava eu a observar as pessoas, transeuntes distraídos, caminhantes em vias controladas por semáforos inteligentes. Engraçado que os sinais funcionam de uma maneira tal que iniciada uma contagem para a próxima parada se pode percorrer distâncias entre vários deles, todos alegremente verdes contando cada um seu tempo, cada um em seu tempo, cada tempo em seu lugar, cada tempo em seu próprio tempo.

Passear por uma via controlada, por esses silenciosos semáforos, é como caminhar no tempo e ao mesmo tempo fora dele e à medida que se passam os postes a contagem continua...

28, 27, 26 25, 30, 28, 27, 26, 28,27...

Vários tempos ao mesmo tempo e ao mesmo tempo, tempo nenhum, mas ele passa e passa para todos, mas não nas vias. Nessas vias eu não sou ninguém, pois sou o mesmo a cada contagem, pois sou o mesmo e os tempos são outros, sou igual a outros que ali transitam, que irão chegar a algum lugar assim como eu mas ali não estão em lugar algum, são nada mais que alguns vivendo mais um dos seus bem quistos dias de ninguém.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Deus


Tentando entender os princípios da vida
Tentando entender a mim mesmo
Eu criei o mundo para ser a imagem de mim mesmo, da minha mente

Todos estes conceitos, todas estas duvidas e esperanças
ao redor
Eu tomei para fora para formar uma nova raça
Um novo jeito de ser
E agora eu sou uma multidão, tão grande

Tão extenso quanto eu já fosse
Ainda, ao mesmo tempo
Tão pequeno e mais vulnerável

Eles todos carregam pedaços da totalidade
Juntos eles se transformam em mim
Eu
vejo eles agirem, desenvolverem
Eu vejo eles pegarem diferentes caminhos
Tanto onde eles pensam variadamente
Crentes dos diferentes caminhos, e diferentes deuses

Eu penso que eles vão me ensinar alguma coisa

-Trecho da Musica Deus Nova de um grupo chamado Pain of salvation

Notas de um Ninguém assim como eu.